Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Italva, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana

Asflucan realiza ato público com aval de 19 entidades contra fim da queimada

27 jun 2011, 09h03

O debate sobre a Lei Estadual 5990/2011, que versa sobre a eliminação gradativa da queima da cana-de-açúcar até 2024, chega às ruas hoje, quando a Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) promove, às 9h, ato público na Praça São Salvador. O impasse no setor foi criado depois que a Justiça Federal deferiu liminar requerida pelo Ministério Público Federal, proibindo que usinas da região recebam cana-de-açúcar com palha queimada.


O movimento conta com aval de 19 entidades, e pretende firmar compromisso com a população de que o cronograma estabelecido pela lei, aprovada por unanimidade na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), será respeitado. Entre as entidades que se colocam ao lado do setor produtivo estão a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), além de sindicatos de Trabalhadores Rurais de Campos, Quissamã e São João da Barra, entre outros.


— Todo processo de mudança exige adaptações. Eliminar a queimada e partir para a colheita mecanizada exige mais que isso: altos investimentos, qualificação e apoio do poder público. A lei estadual é sensata e determina que a eliminação da queimada aconteça de forma gradativa. Precisamos do apoio da população para evitar que 10 mil famílias percam seu sustento. Será um ato pelo emprego. Sem matéria prima, as usinas serão obrigadas a fechar as portas — disse o presidente da Asflucan, Eduardo Crespo.

A Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio (Coagro), por exemplo, já analisa a possibilidade de encerrar as atividades caso a determinação da Justiça Federal seja mantida. “Tomaremos essa medida para não entrarmos no vermelho, já que não há cana crua suficiente para manter a linha industrial”, frisou Frederico Paes, presidente da Coagro.


Comudes
— A reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (Comudes), que aconteceria hoje, às 10h, foi adiada. Segundo o secretário de Governo, Geraldo Pudim, uma nova data será marcada. Ele informou que o adiamento é para apoiar o ato público dos produtores de cana-de-açúcar.


— Entendemos que este processo de proibição do recebimento da cana queimada deve ser gradativo. Qualquer medida radical pode ser desastrosa — declarou o secretário.

Fonte: Jornal Folha da Manhã

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