Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Italva, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana

Artigo: A elitização do futebol - Wadih Damous

26 nov 2013, 10h42

Os jornais noticiaram a disputa entre a diretoria do Flamengo e o Ministério Público, em torno do preço dos ingressos para a segunda partida das finais da Copa do Brasil, a ser disputada entre o time rubro-negro e o Atlético Paranaense, na próxima quarta-feira, no Maracanã.

Reagindo à fixação de preços estratosféricos pelo Flamengo, o MP recorreu à Justiça, que, num primeiro momento, determinou a diminuição dos valores cobrados. Posteriormente, porém, acolheu recurso do Flamengo e este voltou a fixar os preços a seu bel-prazer. Deixando de lado questões de natureza jurídica, há outra: a relação dos clubes com seus torcedores e, em última instância, do próprio futebol com seu público. É preciso dizer: se as partidas se transformarem em espetáculos essencialmente televisivos, com estádios vazios, até mesmo o espetáculo televisivo será afetado. Além disso, se quem gosta de futebol perder o hábito de ir aos estádios, a tendência é que diminua o número de torcedores de times brasileiros. Afinal, se a relação com os times é pela TV, por que não optar pelo Barcelona ou pelo Bayern de Munique? A diretoria do Flamengo raciocina de forma imediatista e apenas em termos de mercado. Para ela, a decisão de elevar os preços se mostra acertada porque os ingressos estão sendo vendidos. Para os cartolas, enquanto houver gente disposta a pagar mais caro, os ingressos devem subir de preço. Mas, a boa venda de ingressos a preços estratosféricos não demostra que o aumento foi decisão acertada. Quando muito atesta que, na torcida do Flamengo, há gente com poder aquisitivo alto. Mas amanhã, quando for preciso o apoio dos torcedores hoje alijados do estádio devido ao alto preço dos ingressos, talvez não se possa contar com eles. Para prejuízo do Flamengo e do futebol.

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