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Supremo manda prender deputado por compra de votos

21 mar 2014, 09h17

Asdrúbal Bentes estava em evento com Dilma em Marabá horas antes de sair decisão do STF; ele diz que não renunciará

Fonte: Jornal Estado de S. Paulo

O Supremo tribunal Federal determinou ontem a prisão do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), condenado pela Corte em 2011, por esterilização ilegal de eleitoras em troca de votos quando disputou a prefeitura de Marabá (PA), em 2004. Pouco antes de a decisão ser anunciada em Brasília, Bentes estava ao lado da presidente Dilma Rousseff em seu reduto eleitoral, numa solenidade de entrega de máquinas a municípios paraenses. Ao discursar, Dilma citou o nome do parlamentar, aplaudido pelos presentes.

Dilma começou o discurso citando uma queixa que lhe fez a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), segundo a qual só o nome da presidente costuma aparecer na imprensa nesses eventos. "Então, eu queria falar aqui que estou nomeando os outros", disse. "Então, não tem outros, tem pessoas", continuou Dilma, citando os deputados à sua volta. O primeiro foi Asdrúbal Bentes.

Na solenidade, Dilma entregou 110 caminhões e motoniveladoras a 89 cidades. Além disso, lançou edital para uma obra que permitirá o funcionamento da Hidrovia Araguaia-Tocantins. A presidente disse ainda que o Brasil "só vai ser um país de classe média, que é o que nós queremos que ele seja, quando dermos educação para todos os brasileiros e brasileiras". Antes de Marabá, Dilma esteve em Belém, onde anunciou outros investimentos. Depois, seguiu para Imperatriz, no Maranhão.

Definitivo. Bentes é o sexto parlamentar a ter a prisão decretada pelo Supremo. Ao rejeitar pela segunda vez o seu recurso, o plenário da Corte reconheceu ontem o trânsito em julgado -ou seja, o caso está encerrado e a condenação é definitiva. Os ministros decidiram encaminhar um ofício à Câmara para que delibere sobre a eventual perda do mandato de Bentes.

Embora o STF tenha dado ordem de prisão, a expectativa é que o deputado cumpra em casa sua pena de 3 anos, 1 mês e 10 dias -em regime aberto, que vale para punições inferiores a quatro anos e na qual o condenado deve trabalhar durante o dia e recolher-se à noite a uma casa do albergado. Como não há casa do albergado no Distrito Federal, "as penas são cumpridas na própria residência dos sentenciados", informa o Tribunal de Justiça do DF.

Sem renúncia. Depois da solenidade, em Marabá, o deputado disse ao Estado que não tem planos de renunciar. "Cada coisa no seu devido tempo. O que houve foi o um julgamento jurídico. Agora vem o político", disse Bentes, esclarecendo que só soube da sentença do STF depois do evento.

"Minha primeira posição é a de não renunciar, porque a minha consciência sabe que eu não cometi os crimes dos quais estou sendo acusado", disse em seguida, lembrando que "decisão judicial não se discute, é trânsito em julgado", em que não pode recorrer. "Mas eu ainda vou conversar com os meus advogados", completou.

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