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Vice-presidente da Câmara pede licença do mandato por dois meses

08 abr 2014, 11h14

Fonte: O Globo

O vice-presidente da Câmara, o deputado André Vargas, do PT, pediu licença do mandato por dois meses. A decisão aconteceu depois de denúncias que ligam o nome dele com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal, acusado de lavagem de dinheiro.

Enquanto estiver licenciado, o vice-presidente da Câmara deixará de receber o salário de mais de R$ 26 mil e terá que desocupar o apartamento funcional, onde vive em Brasília. Ele precisará ainda dispensar todos os funcionários do gabinete. O líder do PT afirma: foi uma decisão pessoal.

“O nosso partido está satisfeito com a atitude que ele tomou e com a expectativa de que ele se defenda”, afirma o deputado Vicentinho, líder do PT.

Em nota, André Vargas disse estar à disposição para quaisquer esclarecimentos. Alegou ser vítima de um massacre midiático, que foi fruto, segundo o deputado, de um vazamento ilegal de informações.

A Polícia Federal flagrou uma troca de mensagens entre André Vargas e o doleiro Alberto Youssef, de quem disse ser amigo de longa data. Youssef está preso desde o dia 17 de março. Ele é suspeito de ter movimentado mais de R$ 10 bilhões em operações ilegais. O deputado admitiu que voou com a família em um jatinho que teria sido fretado pelo doleiro.

A Justiça Federal do Paraná vai encaminhar parte da investigação da Polícia Federal para o STF, que vai decidir se autoriza ou não a abertura de um inquérito contra o deputado. A pedido do PSOL, o caso será investigado pela corregedoria da Câmara.

“Vamos apurar os fatos e as verdades e que prevaleça a verdade que o povo brasileiro quer conhecer”, diz Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados.

Já PPS, PSDB e Dem pediram ao Conselho de Ética para avaliar se houve quebra de decoro parlamentar. Os partidos anexaram, na representação, trechos de reportagens da revista Veja. Uma troca de mensagens, interceptada pela Polícia Federal e revelada pela revista, mostra que o deputado e o doleiro seriam sócios em diversas operações. Entre elas, um contrato em estudo no Ministério da Saúde para a produção de medicamentos.

Nas mensagens de setembro do ano passado, Youssef diz para o deputado: "Cara, estou trabalhando. Fica tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer...tua independência financeira e nossa também, é claro".

“O Congresso tem que apurar e, se essa apuração confirmar todos esses indícios, o remédio é a perda de mandato, a caracterização de que houve quebra de decoro parlamentar”, garante o deputado Arnaldo Jordy, vice-líder do PPS.

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