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Juiz preso em operação que investiga quadrilha de traficantes presta depoimento

19 dez 2014, 08h57

Fonte: Fato Notório

Operação Athos, de combate ao tráfico internacional de drogas, desarticulou a organização criminosa que operava em Minas Gerais

O juiz Amaury de Lima e Souza, denunciado pelo Ministério Público por envolvimento com quadrilha de tráfico de entorpecentes, foi ouvido pela justiça mineira nesta quarta-feira (17).

A denúncia foi recebida, na sua integralidade, pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no dia 10 de dezembro.

O interrogatório do magistrado, que atuava na comarca de Juiz de Fora, teve início às 9h e foi conduzido pelo desembargador Antônio Carlos Cruvinel, relator da ação penal. O réu, consultado pelo relator sobre a sua opção de ser interrogado no início ou no final da instrução criminal, manifestou sua intenção de ser interrogado naquele momento.

O juiz afirmou que a acusação não menciona datas, locais e valores, nem detalha como os fatos ocorreram e negou as acusações, afirmando que está na magistratura há 25 anos, sendo 17 na área de execução penal. Disse ser um dos maiores colecionadores de armas do Brasil, sendo as mesmas legalizadas, com exceção de uma delas, considerada obsoleta. Afirmou ser um juiz à frente de seu tempo, sendo suas decisões muitas vezes controversas.

Após a exposição do magistrado, o representante do Ministério Público, Geraldo Flávio Vasques sobre a sua ligação com os outros denunciados, sobre uma decisão autorizando transferência de preso para Juiz de Fora e sobre a procedência das armas apreendidas.

Na sequência, a defesa, representada por Rodrigo Hassen dos Santos, indagou-o, entre outras questões, sobre a atuação da Polícia Federal no caso e sobre detalhes da diligência de busca e apreensão em sítio de sua propriedade.

O denunciado respondeu ainda a perguntas relacionadas ao funcionamento e à rotina da Vara de Execuções Criminais, onde atuava, e ao número de processos em andamento. Falou sobre o seu relacionamento com os filhos e com a companheira e explicou gastos com a aquisição de veículo e de apartamento, pagamento de pensão alimentícia, valores recebidos a título de vencimentos e de aluguel de estande de tiros localizado em seu sítio.

Advogados de outros denunciados no processo, antes do desmembramento deste, também participaram do interrogatório.

Ao final da audiência, o denunciado requereu a devolução do material apreendido que não foi objeto da denúncia e solicitou o benefício da prisão domiciliar, pedidos que devem ser formalizados pela defesa para, depois, serem apreciados.

Ainda na sessão, os defensores ficaram intimados para a apresentação da defesa prévia no prazo de cinco dias. Foi determinada também a expedição de carta de ordem para a oitiva de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa prévia.

Caso – Amaury de Lima e Souza foi preso em 12 de junho na Operação Athos, da Polícia Federal. A operação investigou a existência de organização criminosa atuante no tráfico ilícito de entorpecentes. O juiz seria "chefe jurídico" da quadrilha envolvida com tráfico de drogas e homicídio. Souza foi preso por porte ilegal de armas e munições.

A Operação Athos, de combate ao tráfico internacional de drogas, desarticulou a organização criminosa e seu núcleo financiador, que detinha elevado poder econômico. Os criminosos movimentavam milhões de reais, utilizando contas bancárias, serviços de doleiros e dinheiro em espécie, procedendo à lavagem desses lucros por meio de empresas de transporte de passageiros e de comércio em geral. Além de documentos falsos, a quadrilha também contava com uma rede de tráfico de influências, que ajudava na manutenção de suas atividades criminosas.

Tribunal de Justiça de Minas Gerais: 1.0000.14.031771-0/000

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