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Parlamentares defendem convocação de ministro

19 fev 2015, 08h25

Fonte: Jornal Valor Econômico

A controvérsia em relação aos encontros do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com advogados de empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato foi o principal tema dos discursos dos senadores que foram ontem ao Congresso Nacional.

Parlamentares do PSDB, PP e PDT criticaram o ministro por ter mudado três vezes sua versão acerca do episódio e defenderam a convocação de Cardozo para esclarecimentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, bem como na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara sobre os desvios na gestão da Petrobras. Uma outra CPI sobre a estatal, ainda em fase de coleta de assinaturas para instalação no Senado, também pode aprovar a convocação do ministro.

"O ministro pode receber quem quiser. Mas isso não pode ser feito às escuras, às escondidas. Cardozo só confirmou os encontros depois de relatados pela imprensa. Se era tudo legal, porque o ato falho de, no início, negar as conversas?", questionou Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB no Senado.

"Em um primeiro momento, o ministro negou que tivesse ocorrido a audiência [com advogados]. Depois trouxe a versão do encontro casual. E só então, na terceira versão dada, a confirmação da reunião, que não teria aparecido em sua agenda por falha técnica. Por que esconder o encontro? O que ali foi tratado que não se poderia saber?", continuou.

Para o senador, Cardozo "age como advogado do governo e de partes envolvidas no processo". Lembrou ainda que o ministro "dá a entender ter informações de vazamentos de caráter privilegiado, pois faz ameaças veladas à oposição, dizendo que haverá uma reviravolta nas investigações".

Ex-ministra da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) saiu em defesa de Cardozo. O ex-ministro do supremo tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que defendeu a demissão de Cardozo em uma rede social, foi o principal alvo de Gleisi. "É inusitado que, do meio da Sapucaí, pulando carnaval, o ex-ministro do STF que nunca recebia advogados quando estava na presidência do Supremo, numa conduta absolutamente equivocada, critique o ministro da Justiça por fazê-lo", ironizou a senadora paranaense.

Gleisi afirmou ainda que as convocações que a oposição tenta aprovar são desnecessárias. "Oministro virá ao Congresso a hora que precisar, de sua livre e espontânea vontade. Ele não tem nada para esconder", disse a senadora petista.

Na Câmara, o líder do PPS Rubens Bueno (PR) protocolou representação na Comissão de Ética da Presidência da República para que seja investigado o encontro privado entre Cardozo com o advogado da UTC Engenharia, Sérgio Renault, e o advogado e ex-deputado federal Sigmaringa Seixas (PT).

A representação é baseada em reportagem da revista "Veja" deste fim de semana, que narra o encontro e diz que Cardozo, que é responsável pela Polícia Federal (PF), teria repassado informações sigilosas sobre a Operação Lava-Jato.

Bueno cobrou que Cardozo peça demissão do cargo. "Conforme divulgado pela imprensa, Cardozo teria garantido ao advogado da UTC que a investigação mudaria drasticamente de rumo após o carnaval e o desaconselhou a aceitar acordo de delação premiada para os seus clientes", afirmou o líder do PPS.

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