Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Italva, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana

Artigo: Violência doméstica

04 mar 2015, 10h26

Artigo publicado no Jornal O Diário de Campos dos Goytacazes em 04 de março de 2015.

Dr. Luiz Celso Alves Gomes
Advogado, Conselheiro e Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ, Presidente do Conselho da Comunidade da VEP/RJ.


A violência doméstica é uma das violações mais frequentes dos direitos humanos, caracterizada por uma conduta violenta física, sexual ou psicológica e muitas vezes baseada na dependência econômica. Uma em cada cinco mulheres já foi vítima de violência física durante a sua vida adulta e pelo menos uma em cada dez mulheres foi vítima de violência sexual.

Vemos milhares de mulheres no Brasil, vítimas de violência doméstica. Mulheres que não conseguem sair de relações destrutivas ou se fortalecerem como pessoas humanas devido à percepção inadequada que tem de si mesmas. A energia diária de suas vidas que seria utilizada para projetos pessoais, é consumida no sentido de poderem sobreviver em relações de dor e frustração. Utilizam forças internas na tentativa de permanecerem na relação acreditando que se "esforçarem", e serem "boazinhas" as coisas melhoram.
Projetam as suas forças no homem que as violentam dia a dia, sem se darem conta que se eles assim o fazem é em função de sentimentos de insegurança, menos valia, fracasso. Esses homens precisam ser violentos para provarem alguma força, algum valor.

Mulheres que não se dão conta que são elas que têm a responsabilidade do cuidado com os filhos, com a casa, etc., que são competentes perante suas vidas. Mulheres que projetaram naquele relacionamento o sonho do amor romântico, do príncipe encantado e esperam, com esperança que esse príncipe reapareça e que tudo em seu mundo de violência se transforme em amor. Amam quem também é o agente da violência, projetam para sobreviverem.

Atualmente vemos que já houve uma mudança no feminino. Temos ministras, governadoras, prefeitas, ativistas e também presidenciáveis. Mulheres, inteligentes, senhoras de seu destino e cientes de que o feminino e masculino interiores são polaridades que podem coexistir harmonicamente. As potencialidades interiores podem ser colocadas a serviço das transformações sociais, econômicas e políticas de nosso tempo. Mulheres que se identificam com seu animus, com suas qualidades de planejamento, força, racionalização, objetividade e lógica. O problema é que ainda essas mulheres são uma minoria.

A violência doméstica é realmente responsabilidade de todos enquanto sociedade e de cada um de nós particularmente. Não chega sabermos que essa realidade existe devido às notícias de que vamos tendo conhecimento. Cabe a cada um de nós, como cidadãos responsáveis, pensarmos no que podemos fazer para combatermos este flagelo, que é um problema não só das vítimas, mas de todos nós.

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