Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Italva, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana

Artigo: A pobreza no mundo

12 mar 2015, 10h52

Publicado no Jornal O Diário de Campos em 12/03/2015.

Dr. Luiz Celso Alves Gomes
Conselheiro e Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB
Presidente do Conselho da Comunidade da VEP

"Que nenhum ser humano tenha direito de olhar de cima um outro, a não ser para ajudá-lo a levantar-se".

Há um mínimo de recursos necessários para se poder garantir o que é objetivamente indispensável para uma sobrevivência digna, designadamente a possibilidade de aceder a todos os meios que promovem uma saúde com qualidade.

A associação entre pobreza e saúde é bem conhecida. A Organização Mundial de Saúde entende a Pobreza como um fenômeno complexo e multi-dimensional que depende não só do rendimento, mas também de variáveis como o acesso limitado a serviços básicos, como a educação e a saúde. Os grupos populacionais mais vulneráveis e pobres têm saúde precária, maiores taxas de doença e de mortalidade prematura ou materno-infantil. Habitualmente, os rendimentos destas pessoas dependem da sua capacidade para o trabalho e este da sua saúde.

A saúde é um direito do ser humano e um dever dos go-vernos. Investir em saúde é imprescindível se queremos um mundo mais justo, mais produtivo, mas qualificado e eficaz. E sobretudo, a saúde é um recurso para se conseguir erradicar definitivamente a Pobreza no Mundo.

É importante salientar o esforço que muitos países e organizações estão a realizar, mas ainda estamos muito longe dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio, assumidos pelos governos nas Nações Unidas de reduzir para metade a pobreza extrema até 2016.

Importa salientar que, apesar de os progressos no desenvolvimento humano durante o século XX, por exemplo, de 1995 a 2005, a esperança média de vida nos países em desenvolvimento aumentou de 46 para 63 anos e as ta-xas de mortalidade das crianças menores de cinco anos reduziram para menos de metade, ainda existem muitas privações humanas em vários domínios, por exemplo, mais de 800 milhões de pessoas sofrem de subalimentação. A diferença dos indicadores de saúde nos países pobres e nos países ricos continuam a ser abismais.

As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer, o que é mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2016 quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter milhões de pessoas a viver abaixo da linha da pobreza.

As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano.
Podemos concluir que é vergonhosa a situação a que chegou o homem com a sua forma de Civilização, onde a fome mata milhões de crianças no mundo, enquanto que outras comem demais e atingem excessos de peso e a doença pela mão dos próprios pais.

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