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Campos dos Goytacazes, Segunda, 22 de Outubro de 2018

Interiorização da violência urbana

13/01/2010
Por Luiz Celso Alves Gomes


*Publicado no Jornal O Diário

A violência urbana encontra atalhos e se instala no interior das cidades brasileiras. Os homicídios tem sido motivo de preocupação de toda a sociedade, mesmo sabendo que na sua maioria são indivíduos ligados ao tráfico de drogas, no entanto, não podemos aceitar que a cada dia que passa os números de homicídios aumentam, e esse crescimento nas cidades do interior, possui muitos motivos, como contrabando de armas e drogas, existência de organizações criminosas, mas, vem essencialmente do desenvolvimento.

O efeito colateral do desenvolvimento vem mostrando sua face desde alguns anos atrás. Com o inchaço populacional que sofreu algumas regiões do país, somado ao desemprego e, principalmente ao descaso governamental junto aos problemas elementares de qualquer cidadão, como saúde de qualidade, educação desde os primeiros anos de vida, e trabalho para todos, muitos indivíduos se vêem compelidos à criminalidade.

A violência no Brasil está atingindo cada vez mais as cidades pequenas, onde a omissão do poder público transformou alguns municípios em terra de ninguém. Com a intensificação do policiamento nos grandes centros urbanos, decorrente dos últimos incidentes que mexeram com a opinião pública nacional, esses criminosos migram em direção a cidades menos protegidas, como exemplo, Campos, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e etc.

Aqui, a falta de estrutura e péssimas condições de trabalho para os policiais, ocasionam inúmeros problemas com a segurança da população. Faltam policiais, veículos e o atendimento de emergência é quase inexistente.

Fato lamentável, o episódio do fim de semana na praia campista, Farol de São Tomé, onde em pleno show, indivíduos delituosos fizeram vários disparos de arma de fogo, tendo como resultado uma pessoa morta e várias pessoas feridas. Tudo isso aconteceu devido a pouca presença da polícia militar e principalmente aos eventos que estão acontecendo naquela localidade.

É urgente, urgentíssimo, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Sérgio Cabral, olhar para o interior, dar as cidades do interior do Estado, condições de proporcionar segurança para todos, Há uma necessidade muito grande das autoridades de segurança pública desse maravilhoso Estado, rever a política de segurança pública que hoje está instalada.

A política de segurança, onde há enfrentamento entre policiais e marginais não leva a nada, pelo contrário, vítimas desses confrontos, que na maioria delas são pessoas inocentes, pessoas que não tem nada a ver com a criminalidade, estão tendo suas vidas ceifadas.

A prefeita Rosinha, preocupada, e com toda razão, imediatamente tomou as providências necessárias, convocou e exigiu das autoridades que tem o dever de dar segurança a população, mais empenho em suas ações, solicitando inclusive a presença da polícia civil no balneário para que as ocorrências sejam feitas no Farol de São Tomé, facilitando assim, o trabalho da polícia militar, que não precisará mais ir até a Delegacia de Polícia no centro da cidade.

É bom lembrar para algumas pessoas, que estão criticando a prefeita Rosinha pelo fato lamentável que aconteceu no Farol de São Tomé, é que a segurança pública é competência do Governo do Estado e não do município.

Advogado, Secretário e Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ, Presidente do Conselho da Comunidade da VEP/RJ.